sábado, 8 de dezembro de 2007

Rogelio Salmona

Como a Maria Abreu fez tão bem em informar-nos, no passado dia 3 de Outubro faleceu o arquitecto colombiano Rogelio Salmona. É importante que conheçamos a sua obra, o legado que nos deixou em vida e que prolonga uma parte do seu ser para além da dua morte.
Salmona nasceu em Paris, em 1927, estabelecendo-se com a sua família na Colômbia a partir dos anos 30. Iniciou os seus estudos em Arquitectura na Universidade Nacional da Colômbia, mas devido aos distúrbios de 9 de Abril de 1948 foi obrigado a ir para França, facto que o colocou em contacto com Le Corbusier, uma vez que trabalhou no seu atelier.

A biografia está disponível no seguinte site:
http://www.lablaa.org/blaavirtual/biografias/salmroge.htm
Outros links que podem informar mais sobre Rogelio Salmona:
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq014/arq014_01.asp
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq043/arq043_00.asp
http://www.bogota.gov.co/portel/libreria/php/frame_detalle_turismo.php?h_id=12963&patron=01.02020801

Biblioteca Virgilio Barco

Arquivo Geral da Nação

Inês Didelet

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Gerard Castello-Lopes

"Gerard Castello-Lopes é uma personalidade de referência no panorama da fotografia portuguesa. (...) Dedica-se à fotografia a partir de 1956. (...) sua "formação" como fotógrafo foi a de um autodidacta. Como quase todos os outros fotógrafos dessa época, a sua aprendizagem não foi escolar (não havia cursos de fotografia) e baseou-se por um lado, numa natural pulsão de representar a realidade, por outro, num intenso interesse pelas outras artes plásticas ou representacionais, como a pintura, a escultura, o cinema e a própria fotografia. O método consistiu em aprender os fundamentos técnicos da fotografia – o que se aprende facilmente nos livros –, definir uma orientação sobre o "objecto" preferencial da sua actividade fotográfica (tomando Henri Cartier-Bresson como paradigma), e cotejar continuamente o resultado do que ia produzindo com o "corpus" fotográfico que lhe era facultado pelas revistas e livros estrangeiros da especialidade, na ausência ou na ignorância dum "corpus" equivalente português. Na sua essência, o método foi pragmático ou, como se diz em inglês, de tentativa e erro. (...)"






in http://www.fsgaleria.net4b.pt/sitept/exposicao/gerard1.html


Eliana Barreto

Manuel de Brito




Manuel de Brito (1928, Rio de Janeiro – 29 de Novembro 2005, Lisboa), foi um dos primeiros e maiores galeristas e livreiros portugueses do século XX.
Em 1964 abre em Lisboa a Galeria 111, que terá sucursal no Porto (1971). Ao longo da vida, reúne cerca de 2000 obras de arte, desenho, pintura e escultura, uma das maiores e mais importantes colecções do país.Manuel de Brito assume em Portugal um papel preponderante como agente cultural sobretudo após a queda da ditadura, em consequência da Revolução dos Cravos.
É uma figura singular na cultura portuguesa da segunda metade do século e uma personalidade única da vida cultural de Lisboa.

É gerente da Livraria Escolar Editora (1945/1960), a mais completa na área de literatura científica em Portugal. Nela se inicia como editor.Fundada em 1960, situa-se a livraria no Campo Grande, junto da Cidade Universitária. Desde logo Manuel de Brito se torna centro de atenções, não só como fornecedor actualizado de obras especializadas e de interesse cultural mas também como personalidade solidária com o movimento estudantil dos anos sessenta.
A sua livraria torna-se ponto de encontro de estudantes, artistas e intelectuais. É um dos mais sérios opositores da Censura do Estado Novo e bate-se, não sem sequelas, contra as proibições e apreensão de livros que o regime ordena.
É editor de obras gráficas, de livros de arte e de poesia.
Apoia estudantes universitários na execução das suas teses de mestrado e doutoramento.

Inicia em 1964 a sua actividade profissional no mundo da arte com a abertura da Galeria 111. Começa a expor jovens artistas, alguns pela primeira vez, que seriam depois reconhecidos como dos mais importantes da arte portuguesa de então.


Aprofunda conhecimentos no seu relacionamento regular com Almada Negreiros, Eduardo Viana, Abel Manta, Carlos Botelho, António Soares, Luis Dourdil, Luís Reys Santos, Mário Chico, Betâmio de Almeida, J.J. Andrade Santos, Dórdio Gomes e Rui Mário Gonçalves.

Um ano após a sua morte a sua colecção encontrou lugar permanente no Palácio Anjos, agora Centro de Arte - Colecção Manuel de Brito. Vale a pena (re)ver em revista e experienciar paixões à primeira vista com grandes nomes da arte do século XX.


A visitar virtual e fisicamente:
Centro de Arte - Colecção Manuel de Brito
Palácio Anjos, Alameda Hermano Patrone, 1495-064 Algés
Telf: 214 111 400

www.galeria111.pt
http://www.apga.pt/maisgalerias/index.php



Eliana Barreto

Sobre arq Rogelio Salmona

Meninas lembram-se no 4 ano, ir a cubo ,a uma exposição de um arquitecto chamado Rogelio Salmona?

no dia 03 de outubro, a dois meses atras, morreu em Bogotá (Colombia) colombiano nascido em Paris Considerado o melhor arquiteto colombiano e reconhecido nacional e internacionalmente, ficou conhecido pelo uso do tijolo e do concreto aparente.


Maria Abreu

Um Espaço Borgiano

...Apetece desenhá-lo.



" A Escrita do Deus

O cárcere é profundo e de pedra; a sua forma é a de um hemisfério quase perfeito, embora o piso (também de pedra) seja algo menor que um círculo máximo, facto que de algum modo agrava os sentimentos de opressão e imensidade. Um muro corta-o pelo meio; apesar de altíssimo, não toca a parte superior da abóbada; de um lado estou eu, Tzinacan, mago da pirâmide de Qaholom, que Pedro de Alvarado incendiou; do outro há um jaguar, que mede com secretos passos iguais o tempo e o espaço do cativeiro. Rente ao chão, uma ampla janela de grades corta o muro central. Na hora sem sombra (meio-dia), abre-se um alçapão no alto e um carcereiro que os anos foram comendo manobra uma roldana de ferro e baixa-nos, na ponta de uma corda, cântaros de água e pedaços de carne. A luz entra na abóbada; nesse instante posso ver o jaguar. (...)"
Jorge Luís Borges, O Aleph


Jorge Luis Borges nasceu a 24 de agosto de 1899 na Rua Tucumán de Buenos Aires, e foi criado no Bairro de Palermo: "num jardim, por trás de uma grade com lanças, e numa biblioteca de ilimitados livros ingleses." Este espaço limitado de uma biblioteca e o infinito universo dos livros foi o embrião que permitiu a Borges encarar mais tarde "o paradoxo de um sedentário sem pátria intelectual, de um aventureiro imóvel que se sente à vontade em várias civilizações e em várias literaturas...". Borges pertence, sem dúvida, ao grupo de escritores que desde tenra idade tiveram a certeza de que os seus destinos iriam ser literários. Em 1914, o pai reforma-se e decide viajar pela Europa com a família. Instalam-se em Genebra onde Borges inicia o bacharelato. Depois de passar um ano em Lugano, transferem-se para Espanha em 1919. Vivem em Maiorca, passam por Sevilha - aí entra em contacto com o ultraísmo e colabora nas suas revistas - e a seguir transferem-se para Madrid. Regressam a Buenos Aires em 1921, e Borges passa a ter um papel activo na vida cultural argentina: participa na fundação das revistas Prisma e Proa e colabora em Nosotros. Em 1923, depois de publicar o seu primeiro livro (Fervor de Buenos Aires) viaja novamente para a Europa e regressa em 1924. Lança pela segunda vez a revista Proa com Ricardo Güiraldes e outros amigos e colabora com Martín Fierro. A partir de então Borges terá um papel destacado na vida cultural de Buenos Aires escrevendo ensaios, e recensões de livros e filmes; e através dos seus livros que, pouco a pouco, irão afirmar um estilo que com o tempo se tornaria inconfundível. Borges - para quem a vida é "assombro contínuo, uma contínua bifurcação do labirinto" - não só é um grande poeta (Caderno San Martín, El otro, el mismo, os poemas de El hacedor, etc.) e um verdadeiro mestre do conto, mas também um dos mais argutos e originais ensaístas do nosso tempo, sem esquecer a sua actividade de tradutor e antologista. Com Discusíon e Otras inquisiciones, para mencionar apenas duas das suas obras essenciais, Borges tornou-se indiscutivelmente um meste do ensaio breve. As suas narrativas fantásticas - Ficciones, El Aleph, etc. são verdadeiras arquitecturas verbais que, tal como os seus ensaios, "se nutrem da metafísica e da teologia." Borges move-se com a mesma naturalidade entre a simplicidade mais imediata e mais inabitual estranheza. O tempo, o "eu e o outro", o sonho, o infinito, etc., são temas que em Borges se tornam transparências em que vislubramos desde o mais insólito até ao mais imediato e corrente da realidade. Borges praticou com maestria o pouco frequente dom da ironia, que não é mais que uma das faces do seu cepticismo e lucidez. As suas personagens possuem com frequência a marca indelével da solidão e da monstruosidade: labirintos que se erguem dentro de cada homem, caminhos que se bifurcam. Borges apenas conhecerá a fama internacional em 1961, ano em que lhe é concedido o Prémio Formentor, que compartilha com Samuel Beckett. A partir de então, são inúmeros os prémios, distinções e homenagens. Foi director da Biblioteca Nacional de Buenos Aires de 1955 a 1973. Morre em Genebra a 14 de Junho de 1986 com oitenta e seis anos de idade. Das suas Obras Completas publicadas num volume em 1974, disse Borges: "O meu primeiro livro data de 1923; as minhas Obras Completas, agora, reúnem o trabalho de meio século. Não sei que mérito terão, mas agrada-me verificar a variedade dos temas que abrangem. A pátria, as aventuras dos antepassados, as literaturas que honram as línguas dos homens, as filosofias em que tentei penetrar, os crepúsculos, os ócios, as desvairadas periferias da minha cidade, a minha cidade, a minha estranha vida cuja possível justificação está nestas páginas, os sonhos esquecidos e recuperados, o tempo... A prosa convive com o verso: porventura, para a imaginação ambas serão iguais. Felizmente, não somos devedores de uma única tradição; não podemos aspirar a todas. As minhas limitações pessoais e a minha curiosidade deixam aqui o seu testemunho."

Texto retirado de Obras Completas de Jorge Luis Borges Círculo de Leitores , Lisboa, Julho de 1998

Eliana Barreto

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Poética da Música

"A função do criador é examinar cuidadosamente os elementos que recebe, porquanto a actividade humana deve impor limites a si própria. Quanto mais a arte é dominada e trabalhada tanto mais é livre.
Quanto a mim, experimento uma espécie de terror quando, no momento de me pôr a trabalhar e de me encontrar perante uma imensidade de possibilidades que só me deparam, tenho a sensação de que tudo me é permitido. Se tudo me é permitido, o melhor e o pior, se nada me oferece resistência, então qualquer esforço é inconcebível e não posso usar nada como base e, consequentemente, todo o empreendimento se torna inútil.
Terei então de me perder neste abismo da liberdade? A que me deverei agarrar para escapar à tortura que toma conta de mim e perante a virtualidade desta infinidade? Todavia, não sucumbirei. Vencerei o meu terror e ficarei tranquilo com o pensamento de que tenho as sete notas da escala e os seus intervalos cromáticos à minha disposição, que acentos fortes e fracos estão ao meu alcance e que em todos estes eu possuo elementos sólidos e concretos que me oferecem um campo de experiência tão vasto como a infinidade perturbadora e estonteante que acabou de me assustar. É neste campo que lançarei as minhas raízes, inteiramente convencido de que as combinações que têm ao seu dispor doze sons em cada oitava e todas as variedades rítmicas possíveis me prometem riquezas que toda actividade do génio humano nunca esgotará.
O que me liberta da angústia em que uma liberdade sem peias me faz mergulhar é o facto de eu poder voltar sempre imediatamente às coisas concretas que estão aqui em discussão. Não tenho qualquer uso para uma liberdade teórica. Deixem-me algo finito, definido - matéria que se possa prestar à minha operação desde que seja comensurável com as minhas possibilidades. Tal matéria apresenta-se-me juntamente com as suas limitações. Devo por minha vez impor as minhas sobre a mesma. Assim, aqui estamos, quer queiramos ou não, no domínio da necessidade, e, no entanto, qual de nós jamais ouviu falar de arte que não seja como campo da liberdade? Esta espécie de heresia encontra-se uniformemente espalhada, porquanto se imagina que a arte está fora dos limites da actividade ordinária.
Bem, na arte, tal como em qualquer outra coisa, apenas se pode construir numa fundação resistente: seja o que for que ceda constantemente à pressão torna o movimento impossível.
Assim, a minha liberdade consiste em movimentar-me dentro da estreita moldura que atribuí a mim próprio, para cada um dos meus empreendimentos.
Irei ainda mais longe: a minha liberdade será tanto maior e mais significativa quanto mais estreitamente limitar o meu campo de acção e quanto mais me rodear de obstáculos. Seja o que for que diminua, a coacção diminui a força. Quantas mais limitações se impõem mais nos sentimos livres das cadeias que nos algemam o espírito.
À voz que me limita a criar eu respondo, primeiro, com susto; seguidamente, tranquilizo-me aceitando como armas aquelas coisas que participam na criação(...)"
Igor Stravinsky, "Poetics of Music in the Form of Six Lessons"
diana dias

"I prefer drawing to talking. Drawing is faster, and allows less room for lies"



Le Corbusier (Charles-Édouard Jeanneret ). (French, born Switzerland. 1887-1965). Urban Studies Projects for Montevideo, Uruguay, and São Paulo, Brazil, Aerial perspectives. 1929. Ink on paper, 10 5/8 x 6 1/2" (27 x 16.5 cm). Emilio Ambasz Fund. © 2007 Artists Rights Society (ARS), New York / ADAGP, Paris / FLC

On view at MoMA

At the end of the 1920s, Le Corbusier's grand plan for the future of the city was evolving rapidly: the layered and open-ended scheme of his Ville contemporaine of 1922 was developing into the linearity and political homogeneity of his Ville radieuse of 1930–31, which these sketches anticipate. Le Corbusier visited South America in 1929, a memorable trip that allowed him to survey the tropical landscapes and cityscapes from the air at leisure, with the help of the aviators Jean Mermoz and Antoine de Saint-Exupéry. The uniqueness of the landscape, and the contrast between the forest and open terrain and the sprawling, suffocating cities, inspired him to draw up new plans for Montevideo and São Paulo.

The sketch for Montevideo, at the top of the drawing, highlights a giant business center under a motorway that juts into the bay, connecting the most important buildings and bypassing the preexisting urban chaos. The plan for São Paulo, below, attempts to dodge the city's traffic by setting a cruciform arrangement of motorways on the roofs of residential apartment blocks. Making powerful strokes and cuts through the landscape, Le Corbusier envisions superimposing buildings and freeways on a giant scale over the existing urban fabric. Instead of a center, the new city would have satellites and zones, all with their own infrastructural systems.

"I prefer drawing to talking. Drawing is faster, and allows less room for lies", Le Corbusier remarked in 1961. These sketches testify to the strength of his ideas' flow onto the paper.

Paola Antonelli


O LUGAR DOS RICOS E DOS POBRES NO CINEMA E NA ARQUITECTURA EM PORTUGAL
de Outubro de 2007 a Março de 2008
Em colaboração com o Núcleo de Cinema da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa

TRÁS-OS-MONTES
de António Reis e Margarida Cordeiro
com os habitantes de Bragança e Miranda do Douro
Portugal, 1976 - 100 min

Sobre TRÁS-OS-MONTES, canto de amor a uma região e uma das obras máximas do cinema português, observou Fernando Lopes: "é talvez a primeira vez no cinema português que um filme estabelece uma síntese dialéctica ambiciosa quanto ao que os sociólogos chamam de cultura popular". Foi o primeiro filme assinado pelo casal António Reis e Margarida Cordeiro.
.

Sex. [07 de Dezembro] 21:30 Sala Dr. Félix Ribeiro

Com a presença de Margarida Cordeiro (a confirmar)
e do Arqº António Belém Lima

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

THE TROUT AND THE STREAM


...architecture and its details are in some way all part of biology.
Perhaps they are, for instance, like some big salmon or trout.
They are not born fully grown; they are not even born in the sea or water where they normally live.
They are born hundreds of miles away from their home grounds,
where the rivers narrow to tiny streams, in clear rivulets between the fells,
in the first drops of water from the melting ice,
as remote from their normal life as human emotion and instinct are from our everyday work.


Excerpted from “The Trout and the Stream” (1947) in Goran Schildt, ed., Alvar Aalto in His Own Words
(New York: Rizzoli, 1997), trans. Timothy Binham, pp. 108-109.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Livraria Académica, Helsínquia - Alvar Aalto, 1969





Designed in competition in 1962, though not built until 1966-1969, Aalto's Academic Bookshop provides a bright, attractive but businesslike interior piazza, lit by geometric, almost crystalline glass skylights and surrounded by beautiful, austere white marble. The deep, bright interior is unexpected behind the dark, copper office facade, and successfully creates a place that is more than just a store.


The store is on three floors, but the cutaway for the atrium is generous, and the angular skylights penetrate down into the void emphasising the light they bring down with them. The sharpness and complexity of the skylight geometry contrasts with the simple forms and finishes of the white marble balustrade and staircases.
The whiteness and hardness might seem cold, but do not; filled with books, people and the Café Aalto on the far balcony, the bookstore has a strongly welcoming, human feel.


by Inês Didelet